The Wearable Motorcycle
As disfunções da cultura
O triste espectáculo da festa da democracia americana tem sido penoso, da tenebrosa convenção republicana à patética convenção dos democratas só fica a convicção absoluta de que não só estamos a ser enganados como andamos enganados nas nossas mesmas convicções. Que bem que se está no auditório da FCG! As cadeiras são excelentes e tinham aberto a janela para o parque. Está-se muito melhor do que na Casa da Música (sorry guys, you asked for a meteorite, you got one). O bronze, a madeirinha, os passos abafados, e o maior luxo de todos que é inteiro o Coro da FCG (sorry guys, you do not have one, yet!)
Como Cavaco Silva está no Brasil, Ricardo Costa falou à nação e disse ao primeiro ministro exactamente o que havia de fazer. Excessivo ou, se quiserem, Expressivo.
Como não se pode pedir a demissão da ministra da educação, senão cai o regime, pedimos, por desenfado, a do José Manuel Fernandes. Bastou um dia com o futuro director e o Público ficou logo melhor! Faz-me pensar se o jornalismo em vez de parecer cada vez mais uma disciplina de marketing não devia ser antes um ramo do curso de história.

O nosso ordenamento constitucional não contempla, felizmente, a figura do senado. Como em todas as sociedades temos contudo um senado informal de que figuras como Mário Soares ou Freitas do Amaral são exemplo. Neste panorama A SEDES aparece como uma organização de COMO-NÃO-HÁ-SENADO-NÓS-FAZEMOS-UM!
José Sócrates foi bem claro no seu empenho pessoal na avaliação dos professores. O ensino artístico não pode ser apanhado na refrega que vai ser grande da discussão da carreira docente! Para isso era preciso que a questão se resolvesse sem descrédito da autoridade do ministério. Aliás, parece-me que Sócrates só pode achar inoportuna esta frente de batalha num momento destes. Era preciso que a contestação se cingisse à suspensão da reforma e ao retorno aos estudos e prosseguimento das negociações. Bastava a demissão do estudo de Domingos Fernandes, que é contestado por todos os sectores da opinião, e alguma vontade de apaziguamento. E nem era preciso humilhar dois secretários de estado, bastava um.

A Ministra da Educação foi ao Expresso da meia-noite tomar um chazinho com os amigos jornalistas. Só mesmo no fim deste programa que é de jornalismo mas mais parecia uma sessão de propaganda é que Nicolau Santos achou por bem falar do ensino artístico e faz uma pergunta tão estúpida sobre um hipotético aluno que viria hipoteticamente das Caldas da Rainha para ter aulas hipotéticas em Lisboa que até a ministra não sabia bem o que dizer e sugeriu que lhe dessem uma hipotética bolsa. Importa-se de repetir?

Pedir a demissão de um ministro é uma das consolações básicas da democracia, na sua retórica simples de reclamação a exigência da demissão da ministra da educação dá-nos ao menos a ilusão da eficácia de mecanismos de consequência na constituição.
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Não sei se desta vez houve récita de galo para as hostes do BCP, espero que tenham lá ido e reconhecido os esqueletos de cartola a lamber o ouro que se acumula nas fendas, um tema muito actual! Não fosse por servir de profilático, que esta malta empedernida dos prodigios da biblia não se impressiona com nada.


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Tenho um amigo que ao entrar numa sala com 3 grandes retratos de Bach, Mozart e Verdi declarava: Ah, 1 génio!Este blogue é um bocado panfletário mas tenho de dizer que não me faz pena nenhuma o fim da suposta democracia nas escolas, esses antros de arbitrariedade e disfunção corporativa. Aliás, depois do debate de ontem bem podemos colar panfletos nas paredes do metro que já foi decidido pela maioria. A qualidade de vida democrática na escola é tão fraca, burocrática, alienante e fascista que a extinção da comissão directiva não desperta qualquer nostalgia. Vamos estar atentos ao processo de escolha das direcções que é agora exclusiva responsabilidade do ME. Esperamos sinceramente que não haja barafunda, na verdade não devia ser muito complicado encontrar directores para as escolas e de qualquer forma ninguém gosta deles! Mas com aquelas cabeças do ministério nunca se sabe.



Já estou farto de brincar aos críticos. Adorei a ópera de Bernard Cavanna, uma lufada de ar fresco. Adorei a partitura, que foi muito bem executada e dirigida, e o libreto minimal de M. Beretti, que tem um casalinho de apaixonados e nada mais nada menos que um Tableau de l' Operation a la Taille! E falam do declínio da cultura francophone. A música de Cavanna faz lembrar Henry Pousseur (que é belga).Etiquetas: Ópera
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"Tal como Haendel, sempre tive gosto pelos anti-heróis. Será que de um fim trágico é possivel fugir?"Etiquetas: Ópera

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Já sabiamos que há uma versão original do Requiem de Brahms para coro e piano a 4, mas porque temos de a ouvir pelo Coro do S. Carlos quando está ali uma orquestra inteirinha à espera? Estas preciosidades de programação fazem lembrar a estreia do auditório grande do CCB com uma cantora gorda e um pianista magro, ou a grande vergonha que foi o Rinaldo com piano, cravo e flauta de bisel no S. Carlos há uns anos atrás!